A Guria do Lago
Durante o verão eu costumo ir nadar muitas vezes no poço da cascata de nossa estância, local encantado junto com o bosque, o jardim e a pradaria, enfim, todo o cenário da minha infância, que inclui o casarão, naturalmente, e que eu chamo de meu Pampa. E tenho o hábito desde guriazinha, na verdade, de despir-me completamente, de banhar-me nua nessas águas límpidas, cristalinas e calmas, que somente se agitam no sopé da cascata, local todo ele cercado de pedras de todos os tamanhos, e de samambaias, líquens, e plantas belíssimas. Ali os pássaros se banham, e as borboletas adejam, juntando-se no solo de uma praínha, cuja areia dourada deve possuir alguma substancia salina que as atrai. Foi ali que ocorreu fatos que tiro de um lugar especial do coração, já que não posso confiar na memória infiltrada de sonho. Banhando-me sempre nua, nunca pude conceber outra maneira de mergulhar nessas águas translúcidas, que me fizeram ver sua magia, malgrado um certo acidente que contornei, apesar de tud...